Finalmente está dado como dominado o incêndio em Benlhevai. Começou no sábado, no concelho de Mirandela, ainda para lá do rio Tua, mas rapidamente galgou o rio, a estrada, avançou para Vale da Sancha, Macedinho, Freixeda e chegou a Benlhevai. No domingo parecia ter terminado. Mas não! Na tarde de segunda feira, dia 18, atacou de novo e duma forma avassaladora, e, de noite, uma grande parte do termo de Benlhevai ficou reduzida a cinzas.
Terça feira, dia 19, foi dia para impedir reacendimentos e avanços de focos de incêndio que ainda existiam. Aqui ao lado, em Vale Frechoso, Caravelas, Freixeda, viviam-se momentos de aflição, o incêndio tinha-se virado para esses lados.
Hoje, quarta feira, dia 20, parece ter terminado em Benlhevai Os bombeiros dormiram cá, no Salão da Junta, comeram e partiram para acudir noutro incêndio, noutra terra. São eles os verdadeiros heróis desta guerra perdida. Por todos os lados onde passou o fogo ainda se veem pequenas nuvens de fumo a sair dum castanheiro que caiu, dum sobreiro que se mantém de pé, mas está em agonia, duma árvore qualquer que tenta resistir à morte. Mas já não há chamas, que foram terminando durante a noite.
O pesadelo parece ter terminado, começamos a deitar contas à vida. Dos governantes começam a ouvir-se promessas de ajuda que nunca vão chegar, juras de trabalho duro para que situações destas nunca mais aconteçam. Daqui a um mês ou dois tudo terão esquecido! Esquecido por eles, pois nós jamais esqueceremos os prejuízos materiais, a dor de coração que nos vai acompanhar por mais uns anos por vermos trabalhos duma vida desaparecerem no meio de chamas assassinas, por deixarmos de ouvir e ver pássaros, raposas, javalis, lagartixas, insetos, enfim, todos os animais que morreram queimados numa noite terrível e num dia que já não os viu.